soprano

 Basta as penas que eu mesmo sinto de mim. 
Junto todas, crio asas, viro querubim.  

O Teatro Mágico





Alguns dias acordam estranhos e prometendo esquisitices, e a gente fica nessa sem saber como agir.
São manhãs nada nubladas do lado de fora e completamente cinzentas dentro do peito, tão nebulosas que embaçam a visão e você não quer abrir os olhos por nada. Não chove lá fora faz tempo, mas por dentro há um temporal incessante, insistente, doído. Seu bote salva-vidas está a postos, mas você não sabe como usá-lo: vai se afogar nas lágrimas. Há uma corda bem aqui pra você segurar, mas sua força é pequena, cansada. São dias que te acordam com um tapa na cara e um balde de água fria, após noites mal dormidas e palavras mal ditas, malditas.

O sol brilha através da sua janela rindo da sua cara, rindo da sua sensibilidade enorme e te chamando pra fora, pra vida. Seu sonho é alcançar a persiana e fechá-la sem se levantar, esconder do brilho que não combina nada com seu estado de espírito agora. Hoje quer curtir essa fossa imaginária, esta dor suportável que você não suportou, é fraca.
Sabe, amanhã é outro dia, as pessoas que te machucaram ontem sorrirão pra você e a dor que você sente parecerá ridícula. Só você se machucou, só você sofreu, só você deixou seu dia passar em branco, em cinza. Vamos, enxuga esse rosto, cesse esse soluço e vai lá se derreter debaixo daquela estrela gigante ali fora. Não se entregue tão fácil, por quase nada, por uma culpa que não é sua: te jogaram ela. Acredite que tudo se resolverá, pra eu confiar nisso também. Saia e sopre aquele dente de leão da pracinha: deixe que ele leve toda a tristeza inútil pra onde ninguém possa achar. 








Palavras confusas, desconexas.  Mas vem daquela necessidade grande de compartilhar. Desculpem os atrasos, falhas e palavras vagas. 





so sweet.

s




Enquanto estou aqui deitada na minha cama criando coragem pra terminar aqueles croquis sem inspiração alguma e comendo a metade do tomate-maçã com sal, pensei em quanto tempo faz que não escrevo a você, a nós e me veio a mente aquela história de você achar o caminho lembra? Nem eu imaginava que seria tão fácil fixar morada aqui no meu peito, nada perfeito e inteiramente complicado: mérito totalmente seu. Corajoso como só você sabe ser, se dispôs a enfrentar todos os dragões vigilantes da minha torre (que eu contratei antes de me prender) e me tirou de lá antes que eu desacreditasse em tudo: me salvou.  O sal do tomate fez arder aquelas aftas mal curadas e lembrei que batalhei também, pode não estar assim explícito, mas lutei contra meus pensamentos negativos, contra as cicatrizes, contra o que eu acreditava ser o fundo do poço: solidão insistente.  No auge da ardência da ferida bucal lembrei o quanto rezei sozinha no quarto, o quanto chorei sufocada por ser tão fria, iceberg pro seu Titanic. Foi nas caladas das noites, entre uma conversa e outra que eu me culpava por tanta indiferença ao sentimento que batia insistentemente à porta; a melhor que destranquei. Sabe, estou aqui morrendo de sono às três da tarde, torcendo pra que faça o frio sonhado do inverno e que caia uma chuva pra terra cheirar molhado e esperando o sol se pôr para poder vê-lo, esperando sentir frio pra te pedir um colo. É, ando meio carente eu acho, o lado emotiva gritando dentro de mim, mas não me leve a mal, não choro de tristeza, é necessidade mesmo. Entenda, é como o chocolate que me faz bem, é como redigir aqui pra que o que fica guardado poder se mostrar presente, nunca temos tempo pra conversar tudo. Meus croquis estão ali sem sequer um traço que faça algum sentido: hoje acordei sem inspiração pra arquitetura, sonhei que você tinha me dito um não e me dado um pé bem na bunda, e doeu.  A verdade é que nossos planos estão tão sintonizados, se sentindo a vontade com a realidade, tão próxima e nem mesmo pesadelos me fazem descer daqui de cima, onde ando sonhando alto. A verdade é que o que sinto por você é doce como o primeiro cartão que recebi de você: so sweet. A verdade é eu sou apaixonada por você: amor de verdade. Sentada aqui vi nossa história passando como um filme, e dei risada quando revi cenas que meu lado bobinha vingou, e quando fiquei brava e você sorrindo me tirava a razão. Sabe, meus desenhos estão ali esperando que eu dê um pouco de cor a eles, mas você me tomou toda a vontade hoje. Minha única vontade em meio a estas cólicas diabólicas é te esperar pro café da tarde, te servir umas torradas e beijos e dividir a caneca de capuccino.









pai,






Ontem eu te liguei para efeito contrário papai, porque sempre sou eu quem escuto o celular tocar "Three little birds, sat on my window and they told me I don't need to worry", hoje um toque a cobrar e a ligação retornada: nunca uma canção tocou meus ouvidos tão certa, percebi depois. Gostaria de dizer tanta coisa, aproveitar seus bônus e dizer o quanto sinto saudades da sua companhia e agradecer por tentar junto comigo preencher este vazio entre as inúmeras ligações diárias, nossa doce rotina, só nossa. É na distância que o nosso amor se solidificou, e nela que se tornou explícito, demonstrações puras nos finais de conversa, misturadas com o tchau, só nossas: tchamo. As coisas não estão sendo fáceis, o senhor sabe que me desespero e deixo um pessimismo me consumir: atordoada. Mas ontem papai eu engasguei por isso fiquei um tempo muda, absorvendo as suas palavras de apoio, absorvendo esse seu positivismo e tentando captar a intensidade da sua fé na minha capacidade: chorei. Sem perceber meu pranto ouvi o pedido que eu não me sacrificasse pelo senhor, pelo dia dos pais, por presentes, justificando que o maior presente eu o dou diariamente, sendo filha, e proporcionando carinho, respeito, obediência. Quis pedir que parasse antes que meus olhos matassem afogado o celular e eu perdesse a ligação. Como não me sacrificar por você papai? Você que acima de tudo me deu a vida e não mediu esforços para que eu me tornasse a pessoa que sou hoje, em constante aprendizado. Como não retribuir cada milímetro do amor que a mim foi doado, inteiro? Meu pai não é herói, ele está num patamar superior, bem alto.
Gostaria que pudesse ver o orgulho que me refiro a minha (futura) profissão: meu pai, minha inspiração.  Tenho seu sangue, seu espírito conservador (quase todo), sua altura, seu jeito de lidar com certas coisas, sua expectativas. 
 Herdei mais que seu DNA, mas não herdei teu time de coração, o que não foi uma decepção: hoje, motivo de brigas de mentira, uma diversão.Aqui, longe do seu sorriso, fico pensando no tempo perdido, nas histórias não contadas, nas piadas sem gargalhadas, nas músicas não partilhadas e meu coração dói papai, dói de tanta saudade, dói de tanto amor. Dói porque nem sempre fiz tudo o que podia pelo senhor, enquanto que o oposto sempre acontece, sempre. Desde quando eu era aquela menina magricela de marias-chiquinhas loiras e você ainda usava aquele bigode estranho, ouço sua voz dizendo que se pão faltasse, da sua boca tiraria pra me dar, pra suas filhas: primeiro lugar. Cresci com medo do escuro, correndo pro meio da sua cama pedindo socorro, acalmada com suas histórias do senhor cavalo que caiu no buraco, só nossa. Cresci protegida pelos seus braços e abraços tímidos, sua perseverança. Cresci vendo sua amizade com meus amigos crescer, simultaneamente a minha. Saiba meu pai, que sinto muito orgulho por tudo que o senhor é, seu caráter, sua honestidade, seu bom humor sempre são reconhecidos, e sinto cada vez mais vontade de ser assim, como você: coração puro e enorme e de um dia possuir toda essa beleza que o senhor cultiva dentro dele. Saiba também que mesmo achando sua preocupação um exagero, eu acho uma graça, só nossa. Saiba papai, que eu tenho esse jeito as vezes desligado, mas meu amor  por você eu nunca tiro da tomada e tudo que faço, planejo, realizo é pensando em você, na nossa família.  Saiba também, que este escrito não demonstrará o tamanho do meu sentimento de filha, porque ele é imensurável.  Agora, só tenho a agradecer imensamente meu pai, por tudo mesmo, por me ajudar a dar o primeiro passo em tudo que é novo, e por sempre segurar minha mão quando estou pra cair. Obrigada por me ensinar a essência de viver: o valor da família, da nossa família. O senhor, a mamãe e a caçula, são meu maior presente, e seu dia não é só no segundo domingo do oitavo mês, seu dia é contado pelas nossas conversas longas, nossas confidências, só nossas. Eu te amo, acima de qualquer outro amor. 





Sai de mim

Alô querida? Aguarde um momentinho que agora não estou perdendo tempo com bobagens.
Não, não preciso saber quem você beijou noitada passada, ou se chegou ao finalmente, e nem estou interessada neste seu papinho de uma só razão: competir com minha vida.
Se conseguiu o emprego dos sonhos, ótimo, mas nem venha tentar se gabar pro meu lado porque meu lugar é logo ali na frente: camarote. Também não adianta tentar fazer um dossiê sobre mim, os segredos estão muito bem guardados, secretos.
Não, não estou mudada, apenas abri um pouco mais os olhos com esse negócio de inveja sabe, isso quando pega, não acaba mais. E me arrisco a dizer ainda, que não há pessoa nesse mundo que não tenha experimentado o gosto amargo deste veneno, colocado em nossa vida, boa noite cinderela. 
Por que cargas d'água quer tanto que eu me ferre hein danada? Vai me diz, vira homem mulher. Porque cobiça tanto o que é meu, ou o que quero que meu seja?!
Não, não pense que se você tentar encher minha cabeça de minhocas fará com que eu desista de vencer, sonhar: ilusão, sou mais forte que você pensa. E não sou assim porque as pedras no meu caminho tenham sido mais que eu esperava, sou assim porque meu Deus é maior que sua inveja, que seu olho gordo, muito gordo, rolando de tão gordo. 
Vem cá pr'eu te ensinar um regime mágico pra estas pupilas obesas que tanto olham minha vida, enquanto a sua vai passando sem sua presença. 
E não precisa pensar que desejo mal a você, apenas espero, espero muito, que esqueça um pouco essa coisa de duelo comigo, uma rixa silenciosa que fui descobrir a pouco: decepcionada. 
Aproveita e faz as pazes consigo, se ame mais um pouco pra deixar de pensar que tô querendo ser você, quero não querida, obrigada. Mercadoria estragadinha faz um mal danado pro estômago já inflamado.  Aproveita e comece a  se vestir mais por dentro sabe, pra depois se borrar de tanta maquiagem, como ouvi uma vez de um sábio: meu melhor vestido é o avesso. Encare o desafio que nesta briga vou cair de cabeça viu, tenho tanta coisa bonita semeada aqui dentro - feias também - se quiser, te dou uma mudinha da árvore das virtudes, é um bom começo. Aproveite, e cultive também os sentimentos contrários à essa inveja tão boba que anda demonstrando, põe a mão na terra, esqueça as unhas feitas - compradas - e cultive. Troque sentimentos miseráveis pelos que realmente fazem sucesso. E não me venha outra vez com as suas historinhas fantasiosas que usa apenas pra me jogar lá no fundo daquele poço ali. Não tente fazer com que eu me sinta a pior pessoa do mundo. E não tente provar pro resto do mundo que sua beleza é estonteante se por dentro anda podre. E agora, escute: não quero seu cabelo, seu olho, seu sucesso, seu corpo,sua vida, quero a minha vida de volta, longe dos seus olhos gigantes, quero é paz de espírito e muito sal grosso.



Ana Flávia Sousa Silva

marinando

O sol nasceu sob aquela chuva mansa, tão mansa que você sabe que vai demorar a passar. Mariana acordou preguiçosa, mas feliz , a chuva sempre lhe trazia serenidade pra descansar os pensamentos que fervilharam tanto naqueles dias de sol. Recesso. Estranhamente, cansou-se rápido da paisagem vista através do vidro sujo da janela daquele quarto, vazio.  Mesmo tão amiga da solidão e de cada um dos seus lápis multicoloridos, o dia se entristeceu de repente.  De nada servia os dois mil e um traços em cores nos mais variados rascunhos de sonhos colocados ali, na velha escrivaninha. Neste dia tão peculiar, em que nada se encaixava no normal ela viu ao se olhar no espelho que foi ela quem deixou o dia triste. Comprovou ao ver que as lágrimas que eram refletidas diante de si se misturavam com a imagem da janela, pingos de chuva se espalhando naquele vidro, tentando limpá-lo a todo custo. Pobre chuva, mal sabia que a sujeira estava por dentro, impregnada. Mariana sabia que poderia mudar aquilo tudo, mas não sabia como, quando e onde. Desceu correndo as escadas do sótão para se embriagar de choro de nuvem, chuva, chuvisco. Temporal dentro de si. Havia um lago, cheio de vazio. Não havia pier. Havia Mariana, cheia de tanta coisa. Vazia de paciência.  Havia muita confusão nesta quantidade inimaginável de vendavais que tentavam sem receios, e muito menos pudor levá-la pr'aquele abismo infinito de angústia. Mariana tomou um porre daquele líquido caído do céu e queria férias de algo que não compreendia. Diante do lago da casa antiquada como só Mariana sabe ser, ela se viu numa pequenez que fez com que sua estrutura, tão bem planejada e rígida até então, estremecesse. Havia medo em cada gota minúscula de orvalho da alma. Sentiu todo o oceano que guardava há muito  nas profundezas de seu ser, e num ato quase insano o quis dividir com o lago. Precisava. Sem forças para conter os olhos tão aguados de mar, abraçou-se ao vento, antes forte, leviano. Agora, par dançante. Pôde contar com o carinho que a brisa gelada acariciou seu rosto e, aos poucos a maré foi baixando. Tudo melhoraria. Ela se sentiu pronta a encarar a dura tarefa da limpeza daquele vidro, que tanta gente quis sujar, borrar. No caminho, juntou pedras que foram jogadas, levou pra dentro, para com elas começar a construir seu castelo. De cartas, pode ser. Escada para alcançar cada um dos sonhos. Depois, por trás da janela outra vez translúcida, veria as nuvens dando licença para o sol brilhar a tardinha, pouco antes de seu espetáculo, aquele sol que parece que se põe todo dia dentro da gente, tão bonito que é. Libera sorrisos, antes prisioneiros. Veria aquele encontro, entre o astro rei, sonolento, pronto pra dormir, e a vida noturna, brilhante, da dona lua.  Acreditaria. Ao alvorecer, Mariana transbordava em mar, e o mar de alguma maneira, possuía uma parte dela. Agora, anoitecendo está, e é Luana, cheia de luz, cheia de brilho do luar. Queria acreditar. Não havia uma versus a outra. Ambas eram componentes de uma mesma equação, resultando em força, chuva, sol, lua. Era possível. Andam dizendo por aí, que depois da tempestade, o sol sempre aparece.  Pode acreditar, pode abrir a janela, vai.  O tempero especial vem por último mesmo. Assim, Gran Finale.

-Ana Flávia Sousa

sou a ré.

Então tá bom, vem cá e me ajuda a colocar estes pingos em todos os is que existem neste mundo, que de tão moderno continua antiquado. Vem cá e me diz por que me enganei acreditando  que existia valores mais importantes que cultivar a história de que a união de dois corações, é coisa que aqui se deve aqui se paga. Queria muito saber aonde foi parar o orgulho sentido durante tantos anos que deu lugar a dor dilacerante de agora. Movimentos femininos e a luta por direitos, insignificantes. Achei que regras existiam apenas para dar espaço para as exceções. Sim, achei que era exceção. Quase arqueozóica, uma primitiva assumida, hoje extremamente decepcionada com costumes que nada acrescentam a um mundo tão moderninho, complicam, destroem. Machucam. Inscrições abertas para vasculhar vida alheia e julgar o errado. O certo não merece lugar no placar deste juri. Telhado sem vidro. E nós, ingênuos, permitimos esta exposição em massa. Concordamos em ser marionetes. Deixamos que o nada de humilde desejo de perturbar alheio (opinião), concretize o objetivo único: Incomodar. Uma preocupação aguda de agradar a quem pouco importa com nossa felicidade. Não quero. Com este tamanho todo, costumamos crescer em maturidade também, por mais incrível que possa parecer. Mais incrível ainda é que fora desta modinha atual que sou, amante assídua de passados belos, antiquários, sebos e brechós, fico escandalizada com atitudes tão pequenas diante dos verdadeiros tesouros que possuímos em nossa vida. Por mais que quisesse passar uma Meia Noite em Paris e reviver as épocas mais encantadoras da história, Belle Époque, é difícil acreditar que a evolução acontece apenas no papel, a prática continua estática naquele tempo em que o lençol deveria ser mostrado após o Sim.  Patético. Tantos acontecimentos transformados em maturidade guardados na bagagem. Tanta lição tirada de tantos livros lidos. Tanto respeito aprendido, repassado, vivido. Tanto amor doado, trocado, sentido. E o único resultado que parece ser esperado é aquela bonequinha de cristal que a sociedade adora julgar. Por pensar um pouco diferente do que julgam certo. Por seguir tão fielmente seus sonhos e seu coração. Ré.  Poxa, sou tão maior que isto. Somos.  Gigante em nossas convicções, sonhos e realizações.  Agora vem cá e me responde porque estas pessoas também não cultivaram aquele valor de se casar por amor, como antigamente? Porque estas mesmas pessoas se tornaram tão egoístas, que quando pensam em dividir uma vida com outra pessoa, não há mais espaço. O ego era grande demais. Me diz porque não existe mais essa história de construir sonhos em conjunto? Essa de sonhar junto pra se tornar real? Me diz porque família hoje é investimento, e filhos custam caro. Me diz então, como era possível naquela pobreza de tempos atrás se criar dez, quinze e até vinte filhos? Sabe o que é? A época do superego. A época do: Sou melhor que você. Sabe, se quer cultivar valores de antigamente, cultive os mais importantes. Porque somos melhores e maiores internamente, com atitudes tão nobres e puras que superam qualquer dor no peito, qualquer decepção. Cultive amor. Viva amor. Divida amor. 

histórias de menina.


Não é assim tão simples. Um projeto leva um tempo pra ser realizado. Você pesquisa as obras análogas, se encanta com cores, formas, brilhos, e muda de opinião drasticamente, antes que os olhos pisquem novamente. 
Quando pequena sim, era fácil. Num instante se tornava possível a construção de castelos encantados em meio a bosques misteriosos. Com lápis de cores, um arco-iris e a esperança de um tesouro. A garotinha tinha o contador de  histórias de aranhas e cavalos e jacarés, o seu rei! As princesinhas, contos e fábulas, brincadeiras de meninas, alimentadas eram pela rainha soberana. E mesmo assim queria crescer, independência. Ir além das muralhas daquele reino distante. Sonhar. Naquela época ela podia se dar a esse luxo, abusar e ousar com a imaginação.  Devia ter aproveitado, se agarrado com muita força aos cinco anos. Agora me diz, qual dos pecados mortais é sonhar depois que as bonecas ficam para trás, e o porta-retrato de um casal feliz é colocado no lugar?! Porque se perde a capacidade de voar sobre jardins de girassóis a medida que a responsabilidade começa a pesar sobre os ombros?! Ah menina, não pensa bobagem, acorda! Depois que cresce e esconde os vestidinhos no fundo do armário, será possível alguém que sonha junto?! Talvez ali, escondido.
Grande menina, grandes sonhos e grande amor! Ela sonha mais que tudo, mais que quando menina criança. Sonha verdadeiro. Sonho que pesa mais que saudade de chumbo nas costas, e carrega mais felicidade que um aquário de coráis. Um dia a disseram que poderia ser princesa, que escolhesse. Mas não. Ela já tem características demais, apenas dela, imagina colocar mais uma dentro de um corpo só?! Sendo ela e os sonhos, ela é todas as princesas, vive todas as lendas e passeando em todos os mundos distantes da tristeza. Menina mais adormecida, que bela. Mais borralheira, que gata e mais branca, que a neve. Sonha. Dorme e acorda. Sonha acordada. Ama dormindo e dorme amando. A menina, antes dama, hoje volta a imaginar um sonho mais alto. Arquitetado em conjunto. Realizado. 

um café e um minuto.



Se a pressa é inimiga da perfeição, minha vida é o diabo a quatro de tão desprovida de sintonia que é. Metade de um ano já foi dormir nas profundezas da memória e as horas do meu dia agora simplesmente botaram na cabeça que precisam treinar maratona, de tanto que correm. Ando carente de instantes dando sopa. O tempo de um banho demorado, para o corpo se renovar. Um momento reservado único e exclusivo para que a leitura de um livro se complete e o fim da história de revele. Um atraso no relógio para um chamego a mais no namorado, para que os pés de mantenham um pouco mais aquecidos. Um fim de semana de quatro dias para que a alegria de estar perto da família dure um momento a mais. Quem sabe algumas horas disponíveis para se dedicar a irmã mais nova, que anda sentindo sua falta? Se me dessem quinze minutos, seria o tempo de uma máscara capilar, para os cabelos se mostrarem deslumbrantes. Nem correr mesmo, ali na Praça da Liberdade, não tenho tempo. Nem parar pra desesperar e chorar com tantos afazeres, estou podendo. Careço de um tempo de uma conversa fiada com os amigos, palavras ao vento. E verdade seja dita, doze horas a mais por dia ajudaria a efetuar os projetos acadêmicos mais brilhantes, e poupava um pouco dessa de dizer que não temos talento. Temos muito talento sim, o que nos falta é tempo. Não me falta amor. Não me falta querer estar perto. Não me falta vontade de ajudar o amigo. Não me falta bom humor. O que me falta é um relógio que ande num compasso menos frenético.
É o mal desta era totalmente fast! Hoje, o macarrão é instantâneo e vem em copo e fazer amor, virou a rapidinha. Amigos estão ali, atrás da tela do computador porque não temos tempo de sair de casa, pegar um ônibus e ir vê-los. Celular? Aparelho eletrônico criado pra matar saudade. É a era em que muita gente só se importa em ter muito dinheiro na conta bancária e se esquecem de guardar valores na dispensa da vida. Porque o tempo de hoje, é dinheiro.
'Melhor perder um segundo da vida que a vida num segundo', dizia Vovó'Dete antes que seus filhos entrassem no carro rumo às cidades aonde moravam. Se hoje ela estivesse aqui eu pensaria, mas não lhe diria que 'Ninguém tem mais este segundo pra perder Vovó'. O mundo está constantemente com status de ocupado! Batalhando. Correndo atrás do relógio para conseguir realizar tudo bem feito e no prazo certo! E na visão dos conhecidos, seu status é o de sumido. É assim, há certos objetivos na vida que nos impõem certas condições e o fim da vida social é uma delas.  
 Não há no dia, um milésimo de segundo sequer ocioso. E não venha me dizer que não faço nada das duas às seis da manhã, porque faço sim. Ando ocupada sonhando que posso descansar depois de um dia cheio. Ando sonhando que um dia essa correria será recompensada. Uso este tempo pra colocar a cabeça no pause, pra não ser a pessoa mais lerda do mundo no dia seguinte. Talvez seja um pouco complicado de entender, mas há algumas necessidades pessoais que estão gritando por um pouco de atenção, e dormir é a maior delas. Egoísmo? Talvez. Eu só gostaria muito, se não for pedir demais, de ter aquele momento pra chamar de meu. Mas esta recompensa anda mais concorrida que Mega Sena de fim de ano. Este outro, que está quase aqui.
E seguimos a caminhada em busca daquele tão falado lugar perto so sol, dia após dia fazendo tudo numa inércia só. Desenvolvendo habilidades de fazer mil e uma coisas no mesmo minuto e ainda estar bonita, apresentável; mantida por um só combustível: o café. Extra-forte. Um tic-tac incansável na cabeça e a lista mental de afazeres diários recebendo um X de tarefa cumprida a cada segundo. Sem contar que ainda tem aquele coelho branco com seu relógio de bolso na mão me avisando desesperadamente do meu horário, sempre atrasado. 

Salve, salve o grande poeta Cazuza porque o tempo: " O tempo não para".
http://www.youtube.com/watch?v=7AkEQM9AdEY



O texto está um pouco grande, desculpem. Um obrigada especial pra Luh, que se identificou com o escrito antes mesmo se estar finalizado. :*


 



Ana Flávia Sousa Silva

































deixa a chama acesa.

' minha fé em pó solúvel' 




Eu não sei qual parte da história eu perdi, quantas páginas do Livro de cabeceira deixei de ler e nem quando fiquei assim, desconfiada. Mas aconteceu, e não conto isso como vantagem, pelo contrário ando um tanto envergonhada com tudo isso. Tenho carregado nas costas o peso extra do vazio, da culpa do abandono. Logo você? Sim, eu. Desconheço motivos, já cansei de analisar as situações passadas para descobrir um sequer. Nada. A verdade é que só encontrei razões para acreditar! Para ser aquela pessoa esperançosa outra vez. Acredito até que muita gente deveria fazer uma faxina mental como a minha e descobrir a graça de se estar assim, vivo. Da memória, vi não só os tombos que levei, mas principalmente Tua mão estendida pra mim. Me senti acalentada como criança por não esquecer que Teu ombro amigo esteve sempre disponível para um coração ensanguentado se curar. E antes de tudo isso, sem ao menos saber o que receberias em troca me deu o dom da vida, e como se não bastasse me presenteou com a família mais maravilhosa que alguém pode querer ter. Aos poucos conheci os anjos que me enviaste para que eu não caminhasse só e desamparada, descobri que poderia chamá-los de amigos, amores, professores, anjos. E toda noite, antes que o sono vença mais essa batalha, agradeço. Por ontem, pelo hoje, presente, e confio no futuro, pois Te tenho comigo. Não nego que peço a Ti bem mais que mereço, faço e agradeço, mas não é por mal (não vou jurar, me ensinaram que é feio), é que tenho essa mania de esperar demais, complicar demais, idealizar demais e esquecer desse meu não-talento de conjugar aquele verbo de ação. Ando em falta não só Contigo, mas com a pessoa que mais me ensinou a Crer em Ti, vovó. Ando assim, sentindo falta dos sonhos em que ela me abraçava e eu a sentia, uma vez mais e aí a saudade declarava uma trégua. Ando um pouco fora de rumo, sem a beirada da eira, sem saber se estou sendo ouvida, mesmo quando nada digo. Falta grave esquecer a voz dela, tão doce e carinhosa. Sua caridade e fé inabalável me impressionavam tanto, tanto. Expedito, o santo, ou está de férias merecidas ou por ela estar mais perto, está trabalhando dobrado, hora extra  de tanto que era chamado, pedido, implorado para resolver as causas até então impossíveis. Gostaria era de pedir perdão, sem pedir.. Pois senti na pele a ausência da minha fé, adormecida. Senti na alma a dor de ser pecadora. Reclamei sem necessidade tantas e tantas vezes, e hoje repudio atitudes assim, inclusive as minhas quando volto a fazer. Mas peço sem vergonha que não me abandone. Imploro quanto preciso for para que não desista de mim. Hoje acredito poder até me orgulhar, pois foram tantos que tentaram me convencer do oposto e me fazer acreditar a não acreditar. Sinceramente, não consigo imaginar a vida de uma pessoa sem Ele, nem a minha. Não a imaginava sem minha avó também, mas hoje a sinto como sinto Deus, no coração. É um calorzinho gostoso aqui no peito quando penso nela! 


Ana Flávia Sousa Silva











liberté.

♪  Já sonhei nossa roda gigante .






Estávamos ali, sentados perto um do outro. Você, numa tentativa de impedir que a noite gelada congelasse meu corpo me abraçava forte. Em meio a um abismo temporal, lágrimas rolavam sobre meu rosto frio, sem que eu pudesse conter. Você não percebeu, e mais que depressa tentei disfarçar este choro silencioso. Logo entendi. Era a felicidade se liquefazendo,  extravasando os limites da minha alma e transbordando nos meus olhos. Foi engraçado, porque comecei a sentir cócegas no meu peito, e senti uma vontade louca de dar gargalhadas. Era a borboleta se preparando para alçar vôo. Assim, à francesa, liberté. Agora, me recuso a sentir emoções de valor negativo. Abaixo de zero, quero só o frio, pra que possamos nos deitar aqui, ao lado da lareira, debaixo de um cobertor, apreciando o céu, o momento, você. Pela manhã, me acorde bem cedo com um sorriso radiante no rosto, e me leve para receber os primeiros raios do sol, no alto de uma montanha ou no telhado de casa. Me leve. Me conte tua cor preferida, que crio um arco-iris em degradê pra colorir teu dia! Me conte. Me mostre teus defeitos, e me permita encaixar-me neles, e  a respeitá-los. Deixe que eu roube teu papel de chef de cozinha por um instante e arrisque a fazer teu prato predileto. Deixe que eu te agrade.  Segure a minha mão, e deixa eu te acompanhar, pra onde quiser. Calma, não tenha pressa. Não precisamos mais correr daquele moço, sr. medo, ele já não me persegue, não deixo. Me leve de canoa, barquinho de papel, venesianamente.  Assista um filme melodramático ao meu lado, me deite no teu colo e faça carinho nos meus cabelos longos, da cor do sol que está se pondo. Brinque comigo, vamos ao parque nos divertir, namorar na praça, algodão doce e maçã do amor. Venha dançar  nesta chuva que só quer nos mostrar o que de marvilhoso nos aguarda esta noite... uma vida inteira. Venha, e me deixe ir.





Ana Flávia Sousa Silva

enluarada,

A lua que gira, que gira, que gira só





Enquanto as cores são salpicadas no horizonte belo, o azul que se fez presente o dia todo coincide com as sombras que a noite vem trazendo, e eu aqui, sentada em um canto qualquer em meio a meus livros, companheiros noturnos, acreditando que desta vez o santo com seu cavalo, que vivem na face da lua darão a mim o ar de sua graça. Não sei dizer ao certo, mas independente do que eu faça, no fundo da minha alma, eu acredito que a lua zela por mim, quase madrinha. Talvez, por isso mesmo me tornei assim, também de fases. Amante da noite confessa, mas incrivelmente intrigada com o encanto que o luar me transmite. Pra tanto, diriam que vim ao mundo embalada no manto escuro da noite, mas era o astro rei que brilhava lá em cima quando me viram menina mulher. Curioso é quando à noite, (horário reservado para a propagação mundial das lágrimas), no meu quarto choro, num desabafo incompreendido por mim e a lua, lá em cima, crescente, parece perceber e sorri pra mim. Num ato sem pensar, me vejo roubando as gotas que o luar transborda, de alegria e beleza e não me permito a derramar uma só lágrima, não mais, até o alvorecer talvez. Desprendo-me dos acontecimentos que motivaram o aquele choro soluçado e agradeço a companhia da lua, das estrelas e do santo que outra vez não vi, visão defeituosa. E afirmo mentalmente pra mim mesma que tentarei por todos os outros dias, uma questão de honra agora ver estes verdadeiros moradores do mundo da lua. Antes mesmo de navegar no barco dos sonhos e ser levada pela maré da imaginação, perco alguns bons minutos relembrando de tudo que aconteceu desde que o sol nasceu e hoje, a sensação de dever cumprido e satisfação, foi deixada pra trás. Deu lugar a frustração e outra vez, ao medo. Tornei-me amiga do satélite natural da terra, e com ele aprendi a ser amigável com a solidão, tanto que agora não sei como sair desta fase, tão minguante. Faço da lua chaise long e vejo, aqui de cima, meus retalhos deixados causando dor, e me proponho a descobrir qual segredo do brilho do luar, transmitido durante noites e noites, desde que o mundo é mundo. Pergunto-me repetidas vezes o que poderia ser feito por mim, para que tudo se equilibre e eu, agora em migalhas volte a me inteirar. Um desrespeito com o santo franciscano que antes doava, para depois receber,sempre. É a lógica natural de tudo e sempre concordei com isso. Mas não, o estágio insiste em ficar assim, estagnado. Nada de crescente. Parece não querer evoluir, fica assim, parado no tempo. Talvez a solução seja eu deixar de invejar a tal princesa, aquela bela que adormeceu por anos a fio, e enfim, acordar. Talvez, eu deva continuar admirando a lua, como faço diariamente, mas deixe um pouco de lado o medo das radiações solares, para assim aproveitar mais o dia. Deixar a dependência do sono, sonhos e hábitos noturnos, para depender de um dia lindo, ensolarado. Descobrir quantos desenhos é possível  formar com as nuvens brancas de uma tarde. Perceber que o sol nasce, atrás da montanha, já inovando, e enfim entender que a sedução da lua, é renovada com o brilho solar. Ai, depois que tudo se unir num lusco-fusco, talvez eu me veja assim, aurora polar.


Obrigada Ari, por ler este e outros textos enquanto eles estão em fase de 'cozimento'. =)

Ana Flávia Sousa Silva

têpêêmê,

Estou pensando em me jogar de cima da pedra mais alta. 


Assim, quase como um carnaval fora de época. Mas não é festa!  Uma salada mista de sensações incompreendidas, por mim. Contrariando meu estado novo de alegria, minha carência se apresenta para minha solidão, que por sua vez grita, implorando por minha companhia, apenas. Conhecedora e mulher que sofre há anos por isso, sei que existe e os especialistas nomeiam: tensão pmenstrual. Agora, desordenada. Numa situação anormal, fora dos dias verdadeiros, não me encontro. Radical, por si só, meu signo se faz presente e me coloca diante de minhas extremidades. Enquanto meu corpo, faminto, necessita do alimento alheio, aquele carinho, minh'alma, agora se diz anorexa, não se alimenta nem de esperanças mais. Perco a arbitrariedade diante desta luta, arte marcial. Simultâneos, apresentam-se munidos de conjunções alternativas. Primeiro Round. Um colo, eu queria agora, ou não, preciso mergulhar nos meus pensamentos. Segundo Round. O choro incontido e diário ajuda a expelir tudo que as palavras não são capazes de descrever, entra em combate com a minha extrema alegria de viver! Bipolaridade?! Terceiro Round. Pessoa paciente, compreensível e amável, sou, dali a pouco, uma ignorante, incapaz de entender a psíquica humana. Péssima companhia. Quarto Round. Estudante sonhadora e criativa, consigo  imaginar projetos meus, capas de revistas e livros publicados, uma crise, e sou um completo fracasso. Meus textos, um lixo. Desisto. Quinto Round. A filha exemplar, irmã maravilhosa, namorada perfeita e melhor amiga, eleva-se os hormônios um pouco, e é uma completa inútil, que não ama mais ninguém, nem a si mesma. Sexto Round. O espelho do corredor mostra um corpo, escultural, desenhado e em ordem, fico satisfeita, até que o espelho dos olhos alheios vêem o que eu não quis enxergar, que falta aqui e sobra ali, frustração. Sétimo Round. Uma energia de dar gosto, acordo cedo, se recuperada estivesse, animava até a caminhar, antes do meio dia, a preguiça  já me consumiu por completo. Oitavo Round. Pisando em terreno desconhecido,  me coloco em alerta, cuidadosa, mais tarde a cautela já foi colocada no banco de reserva, e já estou correndo para os braços da novidade. Nono Round. Borboleta criada, asas prontas para voar e medo descartado, palavras na ponta da língua querendo sair, e como se fosse proteção, desistência. Décimo Round. Prato principal: Língua de maritaca. Um assunto atrás do outro, como se agora, a fala tivesse acabado de ser descoberta pela criança, boca seca, um copo d'água e volto muda, quase autista, só olho para a parede e não quero conversar. Décimo Primeiro Round. Curiosa, quase aventureira, quero saber de todos os detalhes, trocar informações contigo, uma palavra mal dita, e não quero saber de mais nada. Indiferente. Décimo Segundo Round. Independência, casa própria, viagem pelo mundo e um cachorro grande. Eu cozinho, eu lavo e passo. Vou  ser feliz assim. Esqueço a hora do remédio, fico tonta e ninguém está perto para me amparar,  aí, coitada de mim, que tristeza! Quanta solidão! Quero o cuidado da família, a companhia pra jantar e uma conversa sobre o dia que está acabando, e até um beijo de boa noite. Duas maneiras de viver, brigando por um mesmo corpo. E nesses momentos de hormônios alterados e se alternando o tempo todo, eu choro, choro incondicionalmente, por qualquer motivo e por motivo algum. Já não quero ouvir os argumentos extremos colocados diante de mim, tenho medo até de meus pensamentos. Assombrada, busco minha fé e meu Deus, converso com a alma da minha avó, sem obter respostas é claro, e espero que tudo isso passe, que eu seja uma pessoa melhor e estável quando acordar. Que durante o sono, as duas faces de mim, façam um acordo e se encaixem, quebra-cabeça, pois estou farta de toda essa disputa por território. Vou dormir, para acordar, espero, tigresa domada. Uma auto-defesa, alternativa.


Ana Flávia Sousa Silva

Conspiração

E amanheça brilhando mais forte, que a estrela do norte! 





Acordo soprando velinhas, recebendo telefonemas de pessoas que me desejam coisas boas sempre! Parece um dia normal, como qualquer outro.Pra muitos é apenas mais um conjunto de horas mesmo! Mas há pessoas que tentam ( e conseguem muito bem) fazer a diferença e se  destacam entre tantos "Feliz Aniversário". Para estas, meu muito obrigada!




O dia hoje nasceu mais feliz!
Os pássaros cantaram mais contentes, o vento soprou poeticamente afagando as folhas das árvores, que já no outono, houveram por bem se desprender e mergulharem em um vôo final fantástico. Até mesmo a grande metrópole está a comemorar. As buzinas que antes ensurdeciam, hoje resolveram se unir em um soneto maravilhoso.
Não é por menos, estamos todos em sintonia com o universo, a felicitar esta data querida, este 22 de março, que nos idos anos de 1991, presenteou-nos com a doce vida da querida Ana Flávia Sousa Silva, ou Ana Flávia, ou Ana, como gosta de ser chamada.
Oportunamente, não poderia deixar de manifestar-me, já que esta Ana que a muitos faz bem, a mim, em especial, faz muito bem. Foi a partir da entrada dela em minha vida, que as coisas começaram a se ajeitar. Com a sua energia, seu companheirismo, sua amizade, seu afeto e todas as qualidades que traz consigo, esta linda mulher simplesmente invadiu meu coração, revirou minha vida de ponta cabeça, me fazendo descobrir e viver o Amor.
Assim como ela chegou sem avisar, a recíproca é verdadeira.
Apesar de não anunciar minha chegada e a princípio ter sido recebido com a desconfiança e receios – logicamente esperados -, hoje vislumbro que estamos alicerçando um sentimento puro, com entrega, companheirismo, amizade.
Percebo a cada dia que não basta ter tido vários relacionamentos, várias situações análogas – pelo menos é o que achamos -, porque o que realmente conta é o que estamos vivendo, e no momento que estamos vivendo. Não existe a possibilidade de prever reações, de querer que seja desta ou daquela forma. Mas assim, ao natural, é que é bom, é que é interessante.
Amor, sem nenhuma razão de ser, a não ser a de existir! Sem cobranças, mas com entrega, aquele gratuito, puro e sincero. Este é o sentimento que habita hoje meu coração e que faço votos para que se perpetue, com a graça do bom e poderoso Deus.
Diante da emoção deste dia feliz, resta-nos acompanhar esta energia, aplaudindo, cantando, olhando, amando, conspirando em sua homenagem, minha doce e amada ANA!
Meus Parabéns!
E obrigado por me deixar fazer parte de sua vida!
Beijos sinceramente apaixonados do namorado, amigo, amante e companheiro.
Do sempre seu, Gabriel. <3

Gabriel Bernardes de Castro Cardoso

vinte, e ponto. (anos)

velhinhos são crianças nascidas faz tempo. 




Enquanto caminho pelas ruas quase intransitáveis de uma capital um pouco distante da minha origem, me pego observando a grande distinção entre os vários moradores desta grande roça. Se me distraio, já fiz uma análise completa da vida do pedestre que passou há um segundo do meu lado, e sou capaz até de afirmar os sonhos que a pessoa teve e se os realizou.  Quando vejo graciosos idosos, inevitavelmente lembro-me da minha avó querida, e meu peito enche de saudade. Imagino, e suponho se estas experientes pessoas tiveram a oportunidade de concretizar todos os planos que um dia, bem antes do século virar outra vez, fizeram. Talvez, objetivos como os meus, sonhados e imaginados nas caladas da noite, entre uma prece e um pai-nosso, nos seus vinte e poucos anos.  Vinte redondo, no meu caso, batendo á porta.  Passo ao lado de um senhor de cabelos brancos e pele marcada pelo tempo, e penso se chegarei a esta idade. Bate na porta. É o vinte outra vez.  Peço para que aguarde um pouco mais, pois ainda estou encantada com minha roupa dos dezenove, que me vestiu de amadurecimento e surpresas! Bate na porta incansavelmente, e eu não quero abri-la. Coloco um móvel para que impeça a passagem da idade, e torço para que ela se canse e vá embora. Uma crise de “meia-idade” precoce me atinge e me sento em frente ao espelho, antes que no chão eu caia. A imagem que surge não é das mais desagradáveis, e me recuso imaginá-la quando rugas marcarem aquela pele lisa, bem lisa. A sensação é de medo, porém não é da velhice. A minha covardia é pensar que por mais que troque de roupa, pode ser que no fim dessa loja de departamentos eu não encontre nada que me agrade, que nenhuma caiba no meu corpo, sendo grandes ou pequenas demais para meu lado brasileira, que nenhuma estampa seja parecida com as que sonhei ou que eu só tenha experimentado roupas que por obrigação eu teria que usar. Outra vez bate na porta, e começo a me desesperar. Lembro-me de quando ansiava loucamente para a chegada dos meus quinze anos, e cai do cavalo quando os quinze completei, e os anos vieram sem parar. Aos dezoito, realizei muita coisa que almejava desde criança; deixei o conforto da casa dos meus pais para buscar estudar em uma universidade de renome e morar quase sozinha. E hoje, diferente de muitos, não espero pela chegada dos vinte e um. Prefiro curtir os últimos dias vestida com a roupa que começa com 1, e se estivesse ao meu alcance, adiaria a chegada da idade que  inicia com o número 2, por que daí em diante, terei de largar minha vida sedentária e me tornar uma maratonista, nessa corrida contra o tempo. Correr, mas buscando deixar os pés firmes no chão da vida, para que eu possa saber curtir e aprender a cada ano com as roupas da nova coleção. A porta está quase se abrindo, já não posso contê-lo. Esconde-esconde. As mãos escondendo o rosto, os livros escondendo as histórias reais e lágrimas silenciosas, escondendo a emoção. Não me encontre, não me encontre, rezo baixinho sem fé, pois sei que fugir de fazer aniversário, só mesmo partindo pra outro plano nova. Prefiro então ficar bem velhinha. Assim, pode vir, mas demore mais um pouco, vinte e ponto. 

Ana Flávia Sousa Silva

e a conta da saudade?

e a conta da saudade quem é que paga? 





Estou lendo mais um livro perfeito do Nicholas Sparks, e quando eu digo que me emociono a cada página e que a história é linda, eu não estou exagerando: Diário de uma paixão.
Venho acreditando cada vez mais que o que falta para a maldade do mundo é um certo mal de alzheimer, uma perda de memória, esquecimento, para que o bem tenha a oportunidade de reconquistá-la, a cada dia, e quem sabe assim, o amor não prevaleça? 
Um grande e verdadeiro amor, não é para ser conquistado apenas uma vez e para sempre. O medo e uma certa insegurança precisam fazer parte de uma vida a dois também, como um combustível. Afinal, o que já é certo e imutável, não nos causa adrenalina alguma. O amor é mutável, a paixão muda, e se não for estimulada, um dia ela desaparece, como se nunca tivesse existido. Todas nós temos um pouco de Lucy, de Como se fosse a Primeira vez dentro de nós, todas queremos ser conquistadas diariamente e torcemos para que os sentimentos puros e sinceros sejam renovados toda noite, com o brilho do luar. Uma flor aqui, um mimo ali, palavras ditas através da alma, e mais uma vez a tarefa do dia cumprida: renovação. Sabe o que mais me impressiona? É que esta é a tarefa mais fácil e prazerosa de se cumprir. Assim, suavemente, tudo acontece. Em meio a correria de um dia numa capital rigorosamente planejada, tudo sai do nosso controle, da nossa "Contorno", dos nossos planos conservadores, e uma onda gigante de felicidade se instala no ambiente que frequentamos. Queira Deus, que todas as pessoas há muito desacreditadas no amor, como já fui, tenham a oportunidade de conhecer histórias encantadoras como esta, e se deixem renovar por dentro, de alma, corpo e rotina. Mais amor, por favor. Doce e amargo, apimentado e sem graça, saboreado e descoberto dia-a-dia. Que me queime e que me faça ir almoçar e pedir: Um chá gelado, por favor. Refrescante. Revigorante. Um chocolate pra levar. Para esquentar o que se refrescou. Assim, renovando. 

Ana Flávia Sousa Silva

Um trecho:

 "Um dia, um velhinho foi a uma de suas consultas periódicas ao médico, só que desta vez um pouco apressado.

O médico então lhe perguntou:

- Pq a pressa? e ele respondeu: 

- Todos os dias neste horário vou visitar minha esposa que está num asilo. E o médico comentou: 
- Que bacana! Então vcs matam as saudades, batem papo, namoram um pouquinho!! E o velhinho diz:
- Não! Ela não me reconhece mais, por causa de sua doença. 
O médico surpreso então pergunta:
- Mas pq então tanta pressa para vê-la, já que não o reconhece mais?
E com um sorriso no rosto, o velhinho responde: 
- Mas eu a reconheço! Eu sei quem ela é e o que representa na minha vida a tantos anos. Por isso todos os dias eu a reconquisto, como se cada conquista fosse única e verdadeira. Este é o verdadeiro amor....INCONDICIONAL!!! "


Nicholas Sparks

Presente entrelinhas.

l♫  Menina do balaio, donde cê pareceu
Trazendo festa em meu berço
Festando em balaio meu? 





O presente literário lindo, recebi adiantado de minha "dindinha" poetiza e gostaria de dividir o carinho que eu recebi aqui, com vocês. (:


Ana Flávia, Parabéns




Menina ternura-encanto
Que brilha, brilha e reluz
Eu a amo tanto e tanto
É para mim, um presente de Jesus!

Veio a nós, como estrelinha
Brilhando sempre no seu caminhar
Sou muito feliz, eu sou sua Dindinha
Tem a beleza da luz do luar!

Menina-arquiteta-inteligente
Trazes a paz para o coração
Sua bondade e humildade, a faz diferente
Sua vida se traduz em constante oblação!

No seu aniversário, quero lhe parabenlizar
Por sua vida, por você existir
Que Deus possa sempre lhe abençoar
Em todos os dias, no seu ir e vir!

Com carinho, 
Belinha 


Izabel Cristina de Sousa


encanto,

Farei o possível pra morar contigo na pedra. 

Te beijo a testa e te respeito acima de tudo. Pode confiar em mim, estarei aqui sempre que precisar, e de dou  um beijo no rosto. O pedido de namoro feito diariamente é quase um passe livre pra que uma rosa maravilhosa possa ser presenteada sem algum motivo aparente, a não ser pelo sim recebido. Dentro do tempo que meu íntimo controla, os sentimentos estão se acomodando, aos poucos e um a um. Quando menos esperava, o medo que estava ancorado no meu porto começou a ser erguido por uma força maior: a felicidade. É de se impressionar como as mãos e braços se moldam uns aos outros. Costumes e manias começam a fazer parte do cotidiano de duas pessoas que se descobrem dia após dia. As conversas muitas vezes são substituídas por uma troca de olhar, sempre revelador. As promessas não fizeram parte da minha festa de Ano Novo, mas assim como eu não esperava, 2011 chegou e me surpreendeu. O meu silêncio te grita cada vez mais alto o quanto me sinto feliz e envolvida!  Meu abraço espera ansioso ser completado com o teu, e eu começo a enxergar que a borboleta está se preparando pra sair daquele casulo que eu criei para protegê-la. Talvez meu  planejado sistema de segurança esteja fazendo efeito contrário em ti, e te deixando vulnerável a pessoa complicada e inconstante que sou. Enquanto tento diariamente levantar vôo e caio até com um certo charme desajeitadamente no chão duro e frio, que é minha razão. Como mulher impulsiva que sempre fui,  estou surpresa por ter agido muito mais raciocionando que sentindo as emoções, até que comecei a ser cativada e que meus dias passaram a ser como um raio do sol, que penetra pela  minha janela a cada manhã, pra me lembrar de tudo que vale a pena. Que todo este encantamento inicial não se quebre, que as surpresas façam parte da nossa rotina e que os beijos signifiquem um gostar puro e sincero. Não tenho pretenções de que sejamos perfeitos , quero que os defeitos apareçam para que possamos aprender a lidar com eles, e mais uma vez aprender um com o outro.  Que o que ainda que está petrificado aqui dentro, seja lapidado aos poucos, dentro do tempo que é pra ser, que Papai do Céu quiser, e que sejamos pacientes para saber esperar pelo momento em que esta pedra se transformará na mais bela jóia.


Ana Flávia Sousa Silva